Rui Miguel Abreu: “A PMM poderá ser importante na imposição de redes internacionais”

Jornalista na Blitz, director do Rimas e Batidas, Rui Miguel Abreu é igualmente radialista na Antena 3, estação em que assina um par de programas, incluindo um Precisamos de Falar, ao lado de Nuno Galopim, Luís Oliveira e Ana Markl, em que se ocupa a conversar entre muitas outras coisas sobre os novos rumos da música portuguesa. É dele o olhar sobre os novos artistas, mais independentes, que reunimos em playlist.

Rui Miguel Abreu

O que pensa de uma plataforma como a Portugal Muito Maior? Acha que poderá ser uma ferramenta útil para os artistas portugueses usarem na construção internacional das suas carreiras?

Sem a menor sombra de dúvida há-de estabelecer-se como ferramenta mais do que útil, crucial. A música portuguesa, à semelhança da de outros países, precisa de trampolins, de ferramentas que lhe permita operar no agitado e competivo plano internacional e a proposta desta plataforma é por isso vital. E um dos segredos para se funcionar fora de portas será, sem a menor sombra de dúvidas, a capacidade de artistas, agentes e demais intervenientes na indústria funcionarem em rede, potenciando ligações que ate aqui seriam difíceis de estabelecer. A PMM poderá ser importante na imposição dessas redes.

Qual a ideia base para a construção da sua playlist?

Muito simples: outros curadores estão a olhar para o hip hop, para o fado, para o jazz, para a música popular. Eu vou pegar nessa jovem música que escapa a esses classificativos, para os novos artistas e compositores que vão da electrónica ao rock, das fusões de pop com outras latitudes, como África, e tentar fazer uma radiografia deste Portugal 2020 que existe nos auscultadores de tanta gente.

A música popular portuguesa pode nunca ter tido tanta pujança como neste agitado presente. Como é que lhe mede o pulso em 2020?

Está de facto com uma saúde assinalável, vibrante, carregada de ideias, com espaço para gente como o Conan Osíris ou o Pedro Mafama ou o Dino de Santiago ou o Samuel Úria, Moullinex e tanta outra gente valorosa. Música que tem orgulho na sua portugalidade, mas que não fecha os olhos ao mundo, que sabe o que é, mas que ainda ainda assim acredita poder ser muito mais. E isso entusiasma mesmo.

Ao longo da sua carreira deve com certeza ter-se cruzado com músicos portugueses ou luso-descendentes a viverem e a trabalharem no estrangeiro. Consegue recordar alguns exemplos que lhe tenham ficado gravados na memória?

Um dos mais notáveis casos recentes que conheço é o do DJ e produtor Holly. Ele é irmão de DJ Ride, carregado de talento em nome próprio, que decidiu estabelecer-se em Los Angeles e que tem trabalhado com muita gente do universo da electrónica, colecionando créditos que vão dos Blue Man Group até ao Slow J, por exemplo. E tem tocado por todo o planeta: passou por Coachella, mas já fez digressões na China, Índia ou Austrália. É um bom símbolo de uma geração nova e recente de criativos musicais que não teme atirar-se ao mundo.

O que espera para o futuro da música popular em Portugal? Que novos caminhos a vê a percorrer?

Vejo o futuro como cada vez mais inclusivo, mais aberto, mais cheio de possibilidades. Um futuro em que a nossa história particular seja revisitada, com África ou Brasil a desempenharem um papel nos novos rumos musicais que podemos e devemos trilhar, sem medos.

Descobre as Playlists de Música de Sempre com a curadoria do Rui Miguel Abreu na Rádio Portugal Muito Maior.