OMIRI NO WOMEX: “PORTUGAL É MUITO RICO EM VÁRIAS EXPRESSÕES MUSICAIS”

Vasco Ribeiro Casais responde pelo nome OMIRI quando esta sozinho em palco. Rodeado de memórias do nosso povo que ainda canta e que foram registadas em vídeo e recorrendo a uma enorme parafernália de instrumentos tradicionais e tecnologia electrónica, OMIRI diz-se capaz de levar esta festa portuguesa a todo o globo

O que significa este convite para integrares a programação de Showcases do Womex?

É um reconhecimento por parte da indústria que Omiri está pronto para tocar em todo o mundo. Fico muito contente com o convite para este showcase, há mais de 15 anos que tento que um dos meus projectos seja seleccionado e finalmente aconteceu. Na Womex vou tocar para os profissionais da música de todo o mundo na área da worldmusic e é sem dúvida uma alavanca na carreira internacional de um artista. 

Nestes Showcases há, literalmente, artistas de todo o mundo: o que é que distingue a música portuguesa e a torna única, na tua opinião?

A música é sempre a expressão de um povo e da sua cultura. Portugal é muito rico em várias expressões musicais. Na música mais de raiz tradicional somos super ricos de norte a sul e também nas ilhas, temos diversas maneiras de cantar (do Fado ao Cante passando pelas polifonias), temos um grande leque de instrumentos e uma grande variedade de formas musicais. Há muitas coisas que são só nossas e que deram origem a outras expressões que são bastante mais conhecidas lá fora (o cavaquinho é um exemplo disso).

Omiri vai representar Portugal no Womenx

Podes falar-nos da tua apresentação ao vivo: é em modo solitário, no plano musical, mas há coisas a acontecer em vídeo e em termos de dança, certo?

Em termos musicais toco a solo mas nunca me sinto só porque sou acompanhado ao vivo (em video – com recolhas minhas e do Tiago Pereira) por algumas dezenas de amigos e amigas que cantam, tocam as mais variadas percussões e instrumentos portugueses e ajudam a fazer a festa e a mostrar um Portugal diferente do que a maioria das pessoas conhecem. Para além da minha prestação musical e do video também conto com dois bailarinos (Maria Antunes e Guilherme Lamy) que, com as coreografias da Filipa Peraltinha fazem uma mistura entre as danças urbanas, a dança contemporânea e um pouco da nossa tradição. É um espetáculo multidisciplinar com muita identidade e raiz e ao mesmo tempo leve e divertido (com todos os clichés do pop/rock feitos pelas recolhas em video) e com muita comunicação com o público.

Omiri vai representar Portugal no Womenx

Pensar local e agir global é uma forma de os nossos artistas se projectarem no mundo?

Acho que sim pela minha experiência o que faz realmente haver uma projecção forte fora de Portugal é termos algo de diferente a dizer. Se olharmos para dentro e bebermos um pouco da nossa cultura e a incorporarmos nas nossas influências o resultado vai ser algo único e é isso que na minha opinião ressoa nas pessoas fora de Portugal.

A música como meio de comunicação privilegiado é um potente difusor dessa energia transformadora e um importante dissuasor de todos os tipos de opressão que o mundo hoje, de novo, enfrenta. Cada concerto e cada performance de Venga Venga é uma festa, mas no sentido da celebração da vida, da surpresa, da liberdade, do direito a ser quem somos.

Omiri vai representar Portugal no Womenx

Pensar local e agir global é uma forma de os nossos artistas se projectarem no mundo?

As expectativas num showcase deste tipo são muito grandes e por isso tento não pensar muito nisso para não colocar muita pressão na minha performance lá. 

Nos últimos anos têm acontecido coisas muito boas dentro e fora de Portugal – convites para projectos especiais como o do meu último disco “Alentejo Vol.I: Évora”, em que fui acolhido em Évora de braços abertos para fazer um espectáculo com os videos projectados em 360 nos edifícios da Praça do Sertório e com cerca de 60 pessoas a tocar comigo espalhadas por todo o espaço arquitectural da praça; convites para actuar nos maiores festivais de Worldmusic da Europa (Rudolstadt na Alemanha, Kaustinen na Finlândia, Dranouter na Bélgica, etc…) e também muitas coisas fora do âmbito da Worldmusic como o Eurosonic, o Reeperbanh, o Festival Iminente, o Wine & Music Valley Festival, entre outros. Resumindo, acho que a Womex vai abrir mais algumas portas ou ajudar a abrir portas que começaram a ser abertas com o trabalho dos últimos anos.

Omiri vai representar Portugal no Womenx

O que esperas trazer da Finlândia após a tua participação no Womex?

As expectativas num showcase deste tipo são muito grandes e por isso tento não pensar muito nisso para não colocar muita pressão na minha performance lá. 

Nos últimos anos têm acontecido coisas muito boas dentro e fora de Portugal – convites para projectos especiais como o do meu último disco “Alentejo Vol.I: Évora”, em que fui acolhido em Évora de braços abertos para fazer um espectáculo com os videos projectados em 360 nos edifícios da Praça do Sertório e com cerca de 60 pessoas a tocar comigo espalhadas por todo o espaço arquitectural da praça; convites para actuar nos maiores festivais de Worldmusic da Europa (Rudolstadt na Alemanha, Kaustinen na Finlândia, Dranouter na Bélgica, etc…) e também muitas coisas fora do âmbito da Worldmusic como o Eurosonic, o Reeperbanh, o Festival Iminente, o Wine & Music Valley Festival, entre outros. Resumindo, acho que a Womex vai abrir mais algumas portas ou ajudar a abrir portas que começaram a ser abertas com o trabalho dos últimos anos.

Alguma coisa especial que pretendas particularmente aproveitar para fazer no Womex?

Já vou à Womex como delegado há 15 anos, este ano como vou tocar lá tudo será diferente. Normalmente aproveito sempre para estar com amigos que encontro lá todos os anos e para ver o maior número de concertos possível. Este ano estou muito focado no meu concerto não sei se consigo desfrutar tanto da feira, vamos ver…