Maria Mendes em busca de uma nomeação para os Grammys Latinos.

A cantora de jazz portuguesa Maria Mendes, que actualmente reside na Holanda, encontra-se pré-seleccionada para as nomeações dos Grammys Latinos em várias categorias diferentes, incluindo a de jazz.

A cerimónia, que ainda não tem data definitiva de apresentação anunciada, apresentará os prémios cujas nomeações serão conhecidas no final do próximo mês de Setembro. A esse propósito, a Portugal Muito Maior trocou algumas impressões com Maria Mendes, a cantora cujo trabalho Close to Me recebeu vários elogios de prestigiadas publicações internacionais, como a Jazzwise ou a Downbeat Magazine.

Como é que recebeste esta notícia de pré-selecção?

Receber a notícia que o CLOSE TO ME foi escolhido para 7 categorias do Grammy Latino é uma informação intensa de digerir, mas magnífica. Vejo e sinto como um incentivo à celebração da minha entrega total à música e à equipa de músicos geniais que contribuíram imensamente para o som único que o CLOSE TO ME tem.

Podes falar-nos mais um pouco sobre esse trabalho?

Neste disco conto com a incrível METROPOLE ORKEST (vencedora de 4 Grammys e conhecida mundialmente pelas inúmeras colaborações com Quincy Jones, Gregory Porter, Jacob Collier, Snarky Puppie, Elvis Costello, Ella Fitzgerald) e o famoso produtor/pianista de jazz americano John Beasley (último pianista do Miles Davis, produtor da Monk’estra e Dianne Reeves).

Juntos re-adaptamos o léxico do Fado e o virtuosismo do Paredes para o mundo do Jazz. Fizemo-lo de mente e coração aberta. E é com esta mesma atitude que juntos, uma equipa de 50 músicos e agentes, estamos a consciencializar a nossa comunidade de colegas profissionais partilhando com eles estas boas notícias. 

Neste disco a minha voz canta poesia e a melancolia do Fado, mas também a minha voz reinventa-se em improvisações vocais que são partilhadas com a orquestra e com a minha banda. Pela aventura e desventura em que levamos o Fado por caminhos tão desafiantes no CLOSE TO ME (re-leitura harmónica e rítmica moderna recheada de surpresas e detalhes angulosos), acredito que a possível vitória do Grammy para Melhor disco de Latin Jazz traria também uma vitória colectiva para todos nós, comunidade de profissionais do Jazz Português.

É também mais uma veemente afirmação de uma voz feminina…

Independentemente do jazz ainda ser muito masculino, acredito na força de trabalho em unidade em que juntos somos uma comunidade mais forte e inspiradora. Esta eventual vitória seria uma força na descentralização dos vencedores Americanos (América do Sul) para Portugal bem como nas vozes também femininas que o jazz tem.