JOSÉ MÁRIO BRANCO: 1942 – 2019

O músico, compositor e arranjador José Mário Branco faleceu na passada terça-feira, 19 de Novembro, aos 77 anos.

A  Warner Portugal, a sua editora, e Paulo Salgado, o seu manager, avançaram a notícia do desaparecimento do autor de uma das mais importantes páginas da história da música portuguesa, cantautor de méritos mais do que firmados cuja história individual é indissociável da mais ampla história da sua geração, a que se começou a fazer ouvir ainda antes do 25 de Abril de 1974, e que ajudaria á construção de um novo país nos tempos que se seguiram à revolução.

Nascido no Porto, em 1942, o autor criou uma das discografias mais importantes e imponentes da música portuguesa com especial destaque para o seu trabalho em nome próprio, Seis Cantigas de Amigo (1967), Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades (1971), Margem de Certa Maneira (1973), A Mãe (1978), Ser Solidário (1982), A Noite (1985), Correspondências (1990), Ao Vivo em 1997 (1997) e Resistir É Vencer (2004), o seu último álbum de originais, mas também para as contribuições para projectos de Sérgio Godinho, Jorge Palma, José Afonso, Carlos do Carmo, Camané ou Amélia Muge.

Em Maio deste ano, a Valentim de Carvalho editou Um Disco para José Mário Branco, juntando artistas como Ermo, Batida, AF Diaphra e Lavoisier, entre outros, para um “agradecimento” em forma de compilação. A obra de José Mário Branco foi também relançada pela sua editora, a Warner, em novas edições devidamente restauradas e remasterizadas. 

À revista Blitz, em Junho do ano passado, José Mário Branco comentava ironicamente, em jeito de remate de uma entrevista concedida a propósito da reedição da sua obra, porque não lhe apetecia regressar aos palcos para cantar as suas canções de sempre: “Dizem-me, ‘as tuas canções são tão boas, a gente gosta tanto’. Então ouçam os discos. Estão aí os discos”. E para sempre ficarão.