MORNA WILL BE CLASSIFIED AS INTANGIBLE HERITAGE OF HUMANITY

(Article in Portuguese)
A Unesco prepara-se para anunciar a classificação da Morna a Património Imaterial da Humanidade. Natural de Cabo Verde, o mundo aprendeu a amar este género músical pela voz de grandes embaixadores, de Cesária Évora a Lura ou Celina Pereira.

A Morna, género musical nascido em Cabo Verde, prepara-se para ser classificada como Património Imaterial da Unesco, fez saber, através das redes sociais, Abraão Vicente, Ministro da Cultura daquele país: ““Caros cabo-verdianos, tenho a sorte, a honra e o privilégio de vos comunicar que hoje o comité técnico dos peritos da UNESCO aprovou o dossier da morna a Património da Humanidade”. A decisão formal, fez ainda saber, será ratificada no próximo mês.

Esta candidatura da Morna à alta distinção da Unesco já atribuída, por exemplo, ao Fado, foi formalizada em Março do ano passado sendo que a ratificação final depende agora de formalidades do comité que se reunirá em Bogotá entre 9 e 14 de Dezembro. Esta candidatura contou com a colaboração do antropólogo português Paulo Lima que esteve activamente envolvido nos processos de candidatura à mesma classificação pela Unesco do Fado, do Cante Alentejano ou da Chocalheira.

Após a morte em 2012 de Cesária Évora, grande símbolo da tradição musical cabo-verdiana no mundo, o próprio governo de Cabo Verde tratou de atribuir ao género o classificativo de Património Histórico e Cultural Nacional, contribuindo dessa forma para o seu estudo, preservação e divulgação. Processo que agora culmina com o sucesso desta candidatura.

Música e dança nascida em cabo-verde, a Morna é tradicionalmente tocada em instrumentos acústicos e espelha a vivência das ilhas, o romantismo dos seus habitantes e a saudade imposta pela diáspora. Cesária Évora foi talvez a sua grande divulgadora no mundo, cantora de excepção que foi aplaudida nos melhores palcos de Portugal a França, daí aos Estados Unidos e mais além, tendo-se apresentado em espaços tão icónicos quanto o Olympia, o Carnegie Hall, o Hollywood Bowl ou o Canecão.

De andamento lento, com declinações românticas e sensuais ou nostálgicas e poéticas, a morna tem uma enorme riqueza melódica que torna profundamente memoráveis as canções que abordam temas universais como o amor, mas também a particular condição cabo-verdiana da partida, da vontade de regressar, da saudade que a ausência provoca. A guitarra, ou violão, o violino ou o cavaquinho integram as formações mais clássicas. B. Leza, ou Francisco Xavier da Cruz, nos anos 30 e 40, foi um dos inovadores do estilo, apreendendo lições na música brasileira que alargaram o leque harmónico das suas composições.

Ao longo dos anos, muitos artistas deram atenção à morna, de Luís Morais a Cesária, pois claro, mas também Ildo Lobo, Elida Almeida, Ana Firmino, Bana, Celina Pereira, Lura, Dany Silva, Nancy Vieira ou Mayra Andrade, entre tantos outros artistas, vozes que souberam respeitar a tradição, mas também fazê-la avançar, levando esta música aos quatro cantos do globo, tornando-a verdadeiramente universal.