BALANÇO DO MAMA 2019 EM PARIS

Conferência Portuguesa no MaMA

Os Artistas Pongo, Venga Venga, Best Youth, Pedro Mafama e PAUS estiveram presentes no MaMA Festival & Convention, que decorreu no passado mês de Outubro em Paris, e são unânimes em reconhecer a importância da acção que a Portugal Muito Maior realizou, com o apoio do MIL – Lisbon International Music Network.

Balanço do MaMA

João Gil, que dirige os destinos da Portugal Muito Maior, acredita que a presença em eventos deste tipo é fundamental para o desenvolvimento de uma visão sustentada de futuro para a música portuguesa: “Estas embaixadas são fundamentais para se entender o mundo em que queremos que a música portuguesa esteja representada ao melhor nível. Todas as estratégias com futuro precisam deste trabalho no terreno para serem consolidadas”, sublinha.

Em Paris, diversas acções – desde a distribuição de materiais de apoio à divulgação da presença portuguesa, como cartazes e flyers até aos contactos directos com importantes agentes da imprensa ou de programadores de outros mercados, passando pela conferência com a presença de António Miguel Guimarães da AMG Music, João Gil da Portugal Muito Maior, Hélio Morais, agente da HAUS e músico dos PAUS, e ainda Hermano Sanches Ruivo, da ACTIVA, uma associação que trabalha pontes entre Portugal e França – procuraram reforçar a visibilidade da música portuguesa naquele que é um evento crucial para a projecção internacional de artistas.

Paus no MaMA
Actuação de PAUS

Hélio Morais explica que os esforços para o crescimento internacional dos projectos portugueses precisam muito do tipo de apoio que a Portugal Muito Maior agora conseguiu garantir: “Não esquecer que são festivais onde importa fazer contactos, mas onde não costuma haver cachets que cubram todas as despesas de uma deslocação deste tipo. Com esta equipa a ajudar, tudo ficou mais fácil”.

Best Youth em Palco
Best Youth em Palco

O músico dos Best Youth, Ed Rocha Gonçalves, concorda e aponta casos específicos onde se percebeu claramente a importância da acção planeada no MaMA: “Andamos por bastantes cafés e restaurantes na zona durante os 3 dias e havia cartazes e flyers distribuídos por toda a zona do Pigalle; O apoio financeiro ajudou a reduzir o investimento da deslocação ao festival; Sentiu-se de facto um esforço em tentar angariar atenção para Portugal, tanto pelo country focus como pelas iniciativas de programação como o cocktail e as conferências”.

Promoção da Música Portuguesa

Para estes artistas, pensar nos mercados que se estendem para lá das fronteiras portuguesas é fundamental, até porque temos algo de único para oferecer. Pongo Love explica que “os ritmos africanos desde sempre estiveram presentes nos diferentes estilos musicais do mundo. E é claro com o upgrade e inovação de vários outros artistas pelo mundo, como Buraka Som Sistema em Portugal com o Kuduro, isso ajudou a impulsionar a visibilidade dos sons africanos e sem dúvida é um dos sons que é obrigatório oferecer ao mundo”.

Pongo no MaMA
Pongo arrasou

“Tenho uma vontade enorme de levar a minha música para além da minha cidade e país, apesar de ainda ter muito caminho para percorrer cá em casa, e estes festivais são um canal aberto para isso”, concorda Pedro Mafama.

Pedro Mafama no MaMA
Pedro Mafama

De facto, Há neste momento na cena musical portuguesa uma diversidade incrível que será, sem dúvida, factor importante na hora de a diferenciar e afirmar nos mercados internacionais. Carlos Gomes, da Transiberia, que representa os portugueses Venga Venga, ressalva isso mesmo: “a incorporação dos Venga Venga como representativos do movimento Queer, politicamente interventivos na defesa de direitos e liberdades individuais, é também de enaltecer, porque expressa a abertura que realmente existe em Portugal, apesar da pouca expressão que o movimento ainda tem. Ficámos agradecidos por nos incluírem na representação de Portugal e sem dúvida que sem o trabalho desenvolvido pela PMM tendo em vista o financiamento das viagens e apoio à estadia dos artistas, tudo teria sido muito mais difícil ou mesmo impossível, nesta fase do percurso artístico de Venga, Venga, a partir da sua base em Portugal”.

Venga, Venga no MaMA
Actuação de Venga, Venga

“Foi, sem dúvida, um sucesso”, conclui António Miguel Guimarães. “O que não impede de pensarmos no que poderemos melhorar em presenças futuras. Há um longo caminho a percorrer, mas o importante é percebermos que esse caminho já começou a ser trilhado”.