José Mariño: “Quero juntar o que de melhor se faz nas diversas correntes da principal e mais profícua força motriz da música portuguesa na actualidade”

José Mariño é o mais histórico divulgador de hip hop do nosso país, autor do seminal programa Repto que colocou no mapa muitos dos veteranos que ainda hoje dão cartas na cena nacional, de Boss Ac e sam the Kid, a Valete ou Mundo Segundo. Agora, Mariño dá voz e os seus próprios arquivos a Teoria da Evolução, programa na Antena 1 que tem vindo a revisitar a memória do chamado Hip Hop Tuga ao mesmo tempo que vai estendendo o seu olhar até ao presente. Será dele a curadoria da playlist regular que o Portugal Muito Maior dedica a esta efervescente cultura.

José Mariño é o mais histórico divulgador de hip hop do nosso país, autor do seminal programa Repto que colocou no mapa muitos dos veteranos que ainda hoje dão cartas na cena nacional, de Boss Ac e sam the Kid, a Valete ou Mundo Segundo. Agora, Mariño dá voz e os seus próprios arquivos a Teoria da Evolução, programa na Antena 1 que tem vindo a revisitar a memória do chamado Hip Hop Tuga ao mesmo tempo que vai estendendo o seu olhar até ao presente. Será dele a curadoria da playlist regular que o Portugal Muito Maior dedica a esta efervescente cultura.

O que pensas de uma plataforma como a Portugal Muito Maior? Achas que poderá ser uma ferramenta útil para os artistas portugueses usarem na construção internacional das suas carreiras?

Quando soube da existência da PMM fiquei bastante contente. Agregar a música nacional e os seus porta estandartes é algo que faz todo o sentido. Seja para consumo interno ou externo. A união faz a força e esta fatia da cultura portuguesa, por vezes olhada como parente pobre ou menor, merece toda a atenção e apoio. Que nos leve mais alto e mais longe é o que eu desejo. 

Qual a ideia base para a construção da tua playlist?

Juntar o que de melhor se faz nas diversas correntes da principal e mais profícua força motriz da música portuguesa na actualidade. Aliar experiência e sangue novo, na tentativa de espelhar o que está a acontecer. E fazê-lo da forma mais idónea possível, sabendo à partida que o mais difícil vai ser deixar muita coisa boa de fora tal é a variedade, potencial e quantidade de material disponível. 

O Hip Hop tem uma história de 25 anos no nosso país e tu tens acompanhado esse percurso desde o início. O que é que sentes que permanece do espírito inicial e o que é que mudou neste tempo todo?

As sementes foram lançadas ainda mais cedo, há 30 anos talvez e as diferenças são enormes. Acho que de entre quem acompanhou os primeiros passos do Hip Hop em Portugal, poucos eram aqueles que acreditavam que viria a dominar o panorama musical nacional. Teve dores de crescimento em diferentes estágios da sua evolução e ganhou facetas distintas, muito mais variedade e outras visões que com o passar dos anos modificaram o cenário global. Há mais qualidade e preparação, mais conhecimento e muito mais produção. Felizmente acho que, pelo menos parte, do espírito inicial ainda integra o ADN dos que começaram lá atrás e ainda hoje dão cartas, de outros que o absorveram e também o partilham, cada um à sua maneira.

E há quem trilhe o seu próprio caminho, com referências mais recentes, outras ideias e prioridades, menos pontos em comum com esse espírito inicial, mas com toda a legitimidade e outras valências. Acho que é bom que se conheça a história, que se preste homenagem a quem desbravou e lutou contra ventos e marés para impor o género em Portugal, mas é igualmente válido que quem agora chega ao “game” possa trazer perspectivas totalmente novas e desprendidas daquele que foi o espirito inicial. A vida mudou muito ao longo desta história e a música reflecte, e muitas vezes, sublinha ou até mesmo põe a nu, o que embora à frente dos nossos olhos nem sempre se consegue ver.

Através do teu trabalho de divulgação na rádio tiveste conhecimento de projectos de hip hop de luso-descendentes a viverem no estrangeiro?

Sim, sem dúvida. Fui algumas vezes surpreendido com histórias dessas. Alguns que partiram muito cedo ou que sempre viveram fora. E que por vezes falam muito pouco a nossa língua. Outros que emigraram mais recentemente e que, já praticantes em Portugal, levaram essa motivação extra na bagagem. E estou aqui a lembrar-me de um MC, chamado Ju, na realidade João dos Santos, que faz parte de um dos grupos de Hip Hop mais antigos da Alemanha, mais precisamente de Estugarda, os Massive Töne. Conheci-o em Lisboa, quando passou por cá de férias, e eu estava na Antena 3. Não me lembro bem como, alguém me disse quem ele era e que estava de visita, e resolvi entrevistá-lo para o Repto, programa que fazia na altura. Foi algures no final da década de 90.

Fazes actualmente o programa A Teoria da Evolução. Até onde é que tu mesmo vês o Hip Hop nacional a evoluir?

Não sou muito bom a fazer previsões no que toca ao Hip Hop nacional… (risos) Quando tudo começou, e sabendo das dificuldades existentes na altura, embora acreditasse no potencial, na força que trouxe à utilização do Português na música, na revolução que impôs a vários níveis, nunca imaginei que chegasse tão longe e de forma tão massificada. Do alto da colina, posso pensar que o céu é o limite e que há muitas e boas asas a fazer-nos voar. Aproveitemos o momento. Acredito que o Hip Hop veio para ficar e perdurar, quaisquer que sejam as mutações que venha a sofrer e que até fazem parte do seu código genético.  

Descobre as Playlists de Hip Hop com a curadoria do José Mariño na Rádio Portugal Muito Maior.